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Jornalistas livres da mídia tradicional

Por Gabriela Monteiro Senden

Informação com qualidade e credibilidade, ponto e contraponto, fontes confiáveis e, acima de tudo, com relevância para a sociedade, é o que todo estudante ou jornalista profissional diplomado deseja.  Esta premissa é válida, até se deparar com o momento do mercado da comunicação no Brasil. Historicamente temos um mercado regido por interesses de famílias detentoras de conglomerados de comunicação, com rádio, televisão e jornal. Estas mesmas empresas de comunicação, que deveriam fazer o trabalho de uma comunicação dirigida, plural e imparcial, se deparam com um perigoso jogo de poder, envolvendo interesses políticos e comerciais.

A notícia virou um produto de fácil venda. A imprensa mostra apenas aquilo que é de interesse, ou seja, protegendo político A ou B, e empresa C ou D. Jamais, em hipótese alguma, vão atacar quem "paga a conta". Trata-se de um desserviço à população e um claro cerceamento à liberdade de imprensa.

Duas gerações de jornalistas falam sobre as experiências de uma imprensa livre e autônoma.   O fotojornalista Rafael Vilela que trabalha no Mídia Ninja e nos Jornalista Livres e o repórter Carlos Wagner com mais de 34 anos de profissão.

Rafael Vilela é fotografo e trabalha para o Fora do Eixo,  Mídia Ninja e os Jornalistas Livres. Ele se formou em Design e desde a faculdade se interessei por fotojornalismo.  “Estudava por conta própria, sempre fui autodidata. Foi muito enriquecedor o trabalho nas ruas com o Fora do Eixo e a mídia Ninja, aprendi bastante sobre jornalismo independente. Hoje eu moro em uma casa coletiva aqui em São Paulo. O nome da casa é Fora do Eixo”, lembra.

Alguns dos integrantes da rede Jornalistas livres/Foto: Divulgação


O Fora do eixo é uma rede de coletivos culturais surgida no final de 2005 que se destaca pelo seu contínuo crescimento, estando presente em 27 estados e mais 15 países da América Latina. Iniciada por produtores e artistas de estados brasileiros fora do eixo Rio-São Paulo, inicialmente focava no intercâmbio solidário de atrações musicais e conhecimento sobre produção de eventos, mas cresceu para abranger outras formas de expressão como o audiovisual, o teatro e as artes visuais, ainda que a música siga tendo uma maior participação na rede.

Já a rede Jornalistas Livres denuncia abusos aos direitos humanos, acompanha a fiscalização de políticas públicas, agendamento de debates, pluralidade de fontes, contextualização dos temas abordados e democratização da informação. Além disso, o grupo tem pautas que tratam da “naturalização” do genocídio da população negra, pobre e periférica, com as humilhações e assassinatos da comunidade LGBT; com a negação da existência de índios e quilombolas; com a desigualdade; com as injustiças.

Também travam uma luta contra setores do país que querem suprimir direitos conquistados pelos trabalhadores e pelas camadas mais vulneráveis da população. O desafio é constituir uma imprensa independente, inclusiva, crítica, pluralista de verdade, desafiadora dos clichês e preconceitos.

Segundo Rafael a rede Jornalistas Livres começou em São Paulo. “Os primórdios está ligado ao projeto Conta d'água no qual a gente foi cobrir a crise hídrica pois havia uma carência de informação, pois ninguém sabia absolutamente nada sobre o que estava acontecendo”.  Nesta pauta o tema era saber o que fazer com a água que estava faltando em São Paulo. “Juntamos vários veículos independentes, como a Revista Fórum, Outras Palavras, A Ponte, pra fazer essa cobertura temática. Juntamos os coletivos de mídia independente, os jornalistas que estavam saindo das redações, os movimentos sociais, e conseguimos fazer uma cobertura diferenciada em relação a grande mídia sobre a questão da água e o tema socioambiental. ” O trabalho inclui também informações com as ONGs  e ambientalistas que já estão trabalhando há mais de 30 anos com esse tema.

Outra pauta que uniu os Jornalista Livres foram as manifestações dos dias 13 e 15 de março. Foi uma cobertura na integrada que reuniu 150 pessoas.  “Ali estava surgindo o que hoje é os Jornalistas Livres. E a partir daí não parou de crescer”, lembra.

Ação direta dos Jornalistas Livres e da rede de Intervenção Contra a Redução da Maioridade Penal, em São Paulo/Foto: Divulgação


As reuniões de pauta reúnem muitos adeptos à causa.  “A gente vai construindo uma rede nova capaz de ter como horizonte a defesa da democracia e dos direitos humanos.  Ao mesmo tempo absorve o melhor que o jornalismo tem para produzir de conteúdo. Há uma alta qualidade, uma forma mais dinâmica do que a imprensa tradicional. Atingimos muita gente”, relata.

Rafael conta que a maior dificuldade que encontram é a grande onda conservadora que enfrentamos no país e exemplifica: "Com o avanço de valores retrógrados no que tange os direitos humanos, de políticas públicas como a terceirização e a maioridade penal. Já tivemos integrantes presos por policiais durante ocupações, e outras questões".

Apesar disso os Jornalistas Livres recebem bastante apoio de movimentos como a Mídia Ninja, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), o MST (Movimento dos Sem Terra), MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), a APEOESP (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo) e a Associação Brasileira LGBT. Também estão na causa personalidades que lutam por direitos sociais, como os deputados federais Jean Wyllys e Jandira Feghali.

Para o repórter Carlos Wagner é importante a consolidação da mídia independente. Para ele, nos anos da Ditadura Militar no Brasil entre 1964 e 1985 a mídia estava censurada, então surgiram os jornais nanicos, como o Pasquim e no Rio Grande do Sul o Coojornal. “Hoje, por motivos diferentes a história se repete”.

Ele vê um novo horizonte para a mídia e seus novos fazeres. “É fundamental para a consolidação da mídia independente que as novas gerações de repórteres saiam das facilidades capacitados para montar o seu negócio e também possam divulgar novos focos para às notícias, muitas delas tão tendenciosas na mídia convencional”, conclui.

O Jornalistas Livres são uma rede aberta, na qual qualquer pessoa pode contribuir e participar das reuniões que acontece todas as terças-feiras às 20h, e para quem não mora em São Paulo há grupos na internet onde também são feitas reuniões.

                         

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