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O jornalismo Extra Classe

Por Isabella Westphalen e Victoria Campos

Diferente da maneira com a qual a mídia convencional conta os fatos e lida com as grandes reportagens, o jornalismo segmentado abre espaço para as histórias que ficam de fora dos holofotes, como é o caso do Jornal do Sindicado dos Professores, o Extra Classe. Uma publicação que surgiu com novos valores, abraça a ideia da reportagem e busca contar todas as versões possíveis de um determinado fato. Distribuído para 20 mil professores em todo o Estado do Rio Grande do Sul, o Extra faz, em 2015, 19 anos e relatos para continuar contando.

Segundo o Dr. em Ciências da Comunicação, Álvaro Benevenuto Jr, “comunicação alternativa é a atividade comunicacional que ocorre fora dos ambientes tradicionais da produção midiática, que aborda temas não privilegiados pelos meios conhecidos e pode ser feita com o propósito de ser”.

Um dos diretores executivos do Extra Classe, César Fraga, reafirma a teoria. Ele, que trabalha no jornal há 16 anos, diz que pode-se entender os novos lados de um fato através do Extra. As versões que não são contempladas na imprensa convencional, as vozes que não aparecem no rádio das grandes emissoras e os rostos que não estão nas capas dos jornais tradicionais, algumas vezes, podem parecer invisíveis aos olhos da grande sociedade.

Com pautas de cunho social, o Extra Classe surgiu em 1996, dentro do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul, apresenta um conteúdo totalmente jornalístico, abordando assuntos que fazem o leitor refletir, indo alem do trivial. “As redações reproduzem uma visão de classe media da sociedade. Não conseguem olhar para as pautas sem preconceito. O que o Extra tenta fazer é justamente se despojar disso e dar uma cobertura partindo do aspecto humano das matérias”, salienta Fraga.

César acredita que acontece hoje o chamado “jornalismo de fita”. “Pegam uma fita e reproduzem o que está sendo dito ali, mas ninguém checa se aquilo é real ou não. Falta um pouco de questionamento ético em algumas coisas”, disse.

Ao comentar sobre matérias já publicadas no Jornal, lembrou-se de uma em especial. “Foi a primeira vez que alguém entrou no presídio central. Entrevistei os líderes das facções da época”, comenta Fraga. Ele diz que o intuito com a matéria, era falar para a sociedade da existência de uma estrutura paralela de poder, e não era reconhecida pelo estado, mas “de fato ela existe e negocia com quem administra os presídios, embora ninguém admita isso, até os dias de hoje”, lembra.

Sobre imparcialidade, César é claro. “Não existe imparcialidade. Nem em jornalismo, nem em coisa alguma. Mas, no Extra, a gente busca a maior quantidade de versões do mesmo fato, e ainda sim somos uma imprensa que tem um lado”. Questionado sobre qual lado o jornal assume, ele explica. “ Não é um lado de esquerda ou de direita, temos o lado de tentar ver as coisas pelo aspecto humano”, complementou.

Colecionam prêmios ao decorrer da sua trajetória, desde 1996, ano que venceram em primeiro lugar no Prêmio de Direitos Humanos, até o mais recente, em 2014, na categoria mídia digital pela Organização das Nações Unidas. O Extra Classe está sempre envolvido em pautas relacionadas aos Direitos Humanos, tem seu  trabalho reconhecido também em menções honrosas. Por exemplo, a edição de junho, traz na capa o conflito entre Indígenas e o Congresso brasileiro.

A distribuição da publicação é feita para professores, formadores de opinião e ambientes que tenham grande circulação, por exemplo, teatros e casas de cultura. Nas mãos dos professores, muitas vezes, torna-se ferramenta de estudo, servindo de exemplo na sala de aula. “O jornal trabalha com um efeito multiplicador e cumpre bem seu papel, nosso público é muito bom”, ressaltou César.

César conta que não há um padrão a ser seguido, “o Extra não é tablóide, tablete ou qualquer outra coisa”.

Redação do jornal Extra Classe/Foto: Isabella Westphalen

Extra Classe na web
O slogan “Jornalismo além da superfície” está na capa da página online do Extra, serve para clarear o entendimento daqueles que não conhecem ainda o trabalho realizado pelo jornal. “É uma tentativa de fazer jornalismo na web, mas com aprofundamento, pois existem poucas iniciativas nesse sentido”, explicou Fraga.

Enquanto existem os grandes veículos de comunicação que usam da web para liberar informações com rapidez, visam a agilidade do serviço, o Extra não tem essa intenção. “Há poucas iniciativas nesse sentido de querer elaborar melhor. Existem veículos bem formatados para a informação rápida, não é nossa intenção”, afirmou o diretor.

O jornal sempre esteve na web, mas não tinha endereço próprio, estava dentro do site do sindicato como mais um serviço, hoje, além disso, tem seu endereço próprio. 

A equipe do Extra é formada por três diretores executivos, sendo eles César Fraga, Gilson Camargo e Valéria Uchôa, que também é editora-chefe. São cinco repórteres: César Fraga, Edimar Blazina, Gilson Camargo, Grazieli Gotardo e Valéria Uchôa. Na fotografia está: Igor Sperotto e na comercialização, Rosane Costa.

O jornal é gratuito e distribuído mensalmente com tiragem de 22 mil exemplares. Os planos são de que o Jornal possa seguir crescendo, no impresso e na web, para que assim, possam continuar representando quem não tem vez e nem voz na sociedade.


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