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Revista Velô – Paixão sobre duas rodas

Por Eliane Aires e Kellyn Boniatti

Em um mundo no qual as pessoas se preocupam com o bem-estar do planeta e, para isso, preservam-se do uso de automóveis, andar de bicicleta pode ser muito mais do que um simples hobby. Pilotar uma bike, como muitos carinhosamente a chamam, ultrapassa o simples ato de locomover-se e passa-se a contemplar o cotidiano, valorizando o contato com a natureza e os outros indivíduos.

Nesse sentido, a Revista Velô, lançada em setembro de 2013 pelas jornalistas Lina Colnaghi e Sabrina Silveira, chegou com o intuito de informar e revelar histórias de vida sobre duas rodas – e pedais, é claro. As amigas conseguiram unir cultura, lazer e curiosidades na publicação trimestral e de distribuição gratuita, priorizando assuntos do universo do ciclismo, assim como outro tema atual e constantemente em pauta: a mobilidade urbana e a sustentabilidade do planeta.
Segundo Lina Colnaghi, foi percebido um “número cada vez maior de ciclistas urbanos no Brasil, em especial em Porto Alegre – no dia a dia –, e existia uma carência de um veículo de comunicação que trouxesse informações sobre a cultura da bike, segurança no trânsito, mobilidade em bicicleta e que mostrasse quantas iniciativas legais estão surgindo em função desse meio de transporte”.

Deste modo, para a dupla, trabalhar com uma revista direcionada às bicicletas é uma questão de paixão, de pessoas que estejam realmente interessadas em pensar as cidades de maneira diferente, para melhor, adaptando-se a um novo estilo de vida o qual preze por vivê-la de maneira completa e prazerosa. Conhecendo a história da Velô, que mesmo jovem já mobilizou inúmeros leitores fiéis, é possível identificar questões que permeiam o universo das mídias alternativas e independentes – aquelas que são consideradas “amigáveis” pelo público-alvo, que rapidamente conquistam a simpatia de todos e que, principalmente, caracterizam-se por divulgar causas específicas, estilos de vida e opiniões de determinados grupos da sociedade.

Sabrina Silveira e Lina Colnaghi, responsáveis pela Velô/Foto: Divulgação

A revista, em seus dois anos de vida, já é vista como um meio de ligação entre o cidadão e seus gostos, ela simboliza um movimento de conscientização sobre as peculiaridades e notícias que abrangem o mundo das bicicletas, sendo importante fonte de informação para todos que se interessam pela causa. Para as sócias, esse sucesso já vivido pela Velô é explicado, em grande parte, pelo cuidado que dedicaram desde o início do projeto, a fim de torná-lo cada vez melhor. “Para se ter uma ideia, a edição #0 foi a primeira, com 500 exemplares e versão on-line. E a ideia era que ela fosse local – até as pautas eram bem focadas em Porto Alegre. Mas como a recepção do público superou nossas expectativas, a partir da edição #1 a revista começou a circular com tiragem de 3 mil exemplares”, explica Lina, que ainda ressalta o fato de terem leitores em todo o país, do Rio Grande do Sul ao Acre, por exemplo.

“Em outubro de 2014, quando completamos nosso primeiro ano, lançamos o site, que além da edição on-line possui notícias inéditas. Nosso princípio é ouvir o público, sentir o que ele demanda e construir um caminho nessa direção. Acho que o sucesso vem desse processo constante de reinvenção e reavaliação. Não tem receita pronta”, completa.

Por tratar de um assunto em voga, que recentemente gerou polêmicas em todo o país, quando ciclistas foram, em diferentes situações, atropelados por motoristas de carros, ou mesmo representando aqueles indivíduos que diariamente utilizam a bike para suas atividades – do lazer ao trabalho –, a revista tem a constante preocupação de não apenas trazer reportagens para o bem-estar do leitor, como também auxiliá-lo na busca por mais segurança. “Queremos mostrar o quanto a bicicleta pode ser transformadora – em termos de mobilidade urbana e também na relação que as pessoas têm com as suas cidades. Andar de bike pelo local onde mora faz percebê-lo de forma diferente. Nós buscamos dar dicas e orientações para os leitores através de matérias que mostram histórias de quem aderiu à bicicleta como estilo de vida, sem deixar de dar as orientações técnicas de especialistas em segurança e trânsito”, avalia.

Para dar sequência a esse projeto ousado, que tem sua renda obtida através de anunciantes e que, recentemente, aderiu à opção de assinaturas, na qual o leitor paga um valor para receber as edições em sua casa – mas sem deixar de lado os exemplares gratuitos nos pontos de distribuição e virtualmente –, Lina e Sabrina inspiram-se no dia a dia, nas histórias que encontram pelos locais por onde passam, pelas pessoas que conhecem e que, assim como elas, descobriram na bike uma paixão.

“Entendemos que a bicicleta é muito mais que um meio de transporte, um brinquedo de infância ou um lazer. Ela te leva a entender mais sobre a convivência – e precisamos muito disso atualmente. Os problemas que enfrentamos no trânsito hoje, por exemplo, estão sim relacionados às estruturas e aos planejamentos falhos, mas muito pode ser atenuado se entendermos que somos pessoas nos deslocando pela cidade, independente do meio de transporte”, avalia Lina.

Para a dupla criativa, isso pode ser relacionado a outros fatores da vida, como a educação. “Aprendemos muito sobre gentileza, sobre respeito e consciência através da Velô. E isso é o que levamos de mais importante”, conclui.


Sabrina Silveira e Lina Colnaghi, responsáveis pela Velô/Foto: Divulgação



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