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Grafite: Arte que comunica

Por Taini Holz

Em meados da década de 70, em Nova York, Estados Unidos, surgia umas das artes mais irreverentes do mundo: o grafite. É uma arte caracterizada por desenhos em locais públicos, de paredes a edifícios.

No Brasil, no mesmo período que os americanos, os primeiros grafites foram registrados em São Paulo, numa época conturbada, onde a censura estava presente. Paralelamente ao movimento que despontava em NY, o grafite vinha como uma arte transgressora, da linguagem da rua, da marginalidade, que não pedia licença e que marcava os muros.
A partir disso, grafitar se transformava num importante veículo de comunicação urbano, de certa maneira, era a voz que dava à cidade um importante meio de comunicação artística, sem delimitação de espaço. A arte se unia a vida da população em um movimento de transformação e identificação.

Na cidade de Porto Alegre não era diferente, considerando a sua evolução cultural. Artistas deixavam seus registros, muitas vezes de forma tímida, como importante instrumento de protesto e de transgressão de valores. Na carona dos grafites estavam os rabiscos aleatórios, as mensagens de amor, as pichações políticas e até mesmo os anúncios publicitários.

Fazendo parte desta história, do mundo das latas e sprays de tintas, está Marcelo Badarji ou Celo Pax. Um rapaz nascido e criado na Zona Sul da Capital gaúcha, filho de Rubens e Maria Eluza. Ao se manifestar com as perguntas que estavam por vir, conta da timidez: “Não me atrapalha até o momento que as pessoas começam a me forçar a falar”, brinca.


Celo Pax e seu registro na cidade Berlin, em 2014/Foto: Arquivo Pessoal

Sobre suas origens artísticas e o grafite em sua vida, ele explica que todas crianças desenham quando pequenas. Umas param e outras não. “Então toda criança tem o start para a arte”. Mas garante que o apoio da mãe fez acender o que hoje é sua trajetória. “Como eu tinha diversos materiais da minha mãe em casa, acabou dando uma “pilhada” nessa minha viagem de desenhar e pintar. Eu gostava de copiar desenhos, tinha uma pasta cheia de rabiscos”, conta.

Não é segredo que muitos dos grafiteiros tiveram parte de suas origens ligadas a pichação. “Veio a curiosidade, rabisquei bastante pela rua. Subi em prédios também. Mas me “pilhei” mesmo pelo grafite, e me atirei de cabeça até eu chegar onde queria”. Hoje referência no grafite, ele afirma que basta querer para conquistar um sonho. “Tu corre atrás que acontece. E eu estou correndo ainda, todos os dias. Tenho o mesmo “tesão” quando eu comecei. Hoje talvez até mais”.

Ao ser questionado porque a arte virou “coisa séria” na sua vida e quando pode encará-la como algo para trabalhar, Celo Pax conta que foi ao acaso. “Se faz grafite porque se gosta. Quando tu está começando, tu ainda não tem um trabalho legal. É tudo experiência, não rola um retorno e nem é essa a busca”. Mas houve uma pressão do pai para que começasse a trabalhar para ajudar a família. “Logo tive que procurar emprego, pois meu trabalho não era reconhecido e sou guri de família humilde”.

Para poder colaborar, mas não se desligar do que já estava fazendo, trabalhou em algumas gráficas, onde teve o contato com o design, vetorizava desenhos, e durante sete anos, se sentiu limitado para evoluir com o grafite. “Mas fiz um plano para sair das gráficas e me jogar novamente na vida "louca" de artista. Cá estou novamente, tudo vai acontecendo naturalmente”.
 
Na formação de Celo Pax, o artista se descreve inquieto, se empenha e não relaxa com o trabalho. “Tenho uma produção muito grande. Por isso várias coisas legais acabam acontecendo. Comecei estudando alguns grafites que via por aí, mas sempre busquei trabalho autoral. E isso me proporcionou convites para projetos, trabalhos e exposições. “Eu sou apaixonado pelo que faço. E isso fez com que as coisas acontecessem”, relatou.

O artista pinta uma lata de spray/Foto: Arquivo Pessoal

Colorindo muros, painéis, telas, paredes, edifícios e até quartos de residências, Celo Pax promete seguir se destacando no meio artístico. “Acho que o meu principal objetivo é produzir e surpreender. Se tu faz um trabalho legal, vai rolar propostas para fazer outras coisas legais. Ter foco e força de vontade te leva além dos objetivos. Uma coisa que eu sempre penso é o seguinte, hoje eu tenho que ser melhor que ontem. Hoje eu acho o meu trabalho massa, mas quero mais!”, conclui.

Marcelo Badarji, o Celo Pax,participou de mais de dez exposições e mostras culturais. No seu currículo estão  desenhos em Berlim na Alemanha e a exposição no Complex Skate Park, em Porto Alegre, Também já fez mais de 10 campanhas publicitárias, entre elas Red Bull Curates Canvas Cooler e para a Budweiser na campanha Copa do Mundo.



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